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Clientes e empresas adotam a negociação por permuta no ramo imobiliário, em Goiás

A troca envolve os mais variados tipos de bens, de carros a fazendas, e até de serviços. Além do método tradicional, plataforma permite negociações entre várias partes sem gastar dinheiro.


Publicado em 02 Fevereiro 2018

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Clientes e empresas adotam a negociação por permuta no ramo imobiliário, em Goiás

Uma das formas mais antigas de negociação, a permuta também é adotada no mercado imobiliário. A troca envolve os mais variados tipos de bens, de carros a fazendas, e até de serviços. Além do tradicional contrato entre duas partes, há plataformas que possibilitam negociações multilaterais.

Jornalista e proprietário de uma empresa de painéis eletrônicos, Hermano Escher, de 30 anos, é adepto de permutas, das mais tradicionais às com moedas virtuais. Para ele, é uma saída, principalmente, em época de crise financeira.

“É difícil comprar um apartamento. Imagina dar uma quantia e o restante pagar prestando serviço para a construtora? Fizemos um contrato e a empresa está usando o crédito comigo”, contou.

A quantidade de permutas aumentou nos últimos anos, segundo o diretor da Associação das Empresas de Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Marcelo Moreira. O especialista avalia que ela voltou a ser adotada com maior frequência depois que as incorporadoras constataram que as pessoas não perderam o interesse por imóveis novos, mas sim, não tinham o recurso para a compra. O diretor ressalta que o cliente não pode ter medo de negociar.

 

“Muita gente, às vezes, acha que não é possível, mas, inclusive, as incorporadoras pegam imóveis de cidades do interior ou de outros estados. As pessoas não podem ter medo de perguntar, oferecer não ofende ninguém”, disse o diretor.

 

Geralmente, segundo a Ademi, os clientes oferecem apartamentos antigos, lotes e carros em troca dos novos imóveis, ou seja, bens com menor valor por um de maior valor. Apesar de menos frequentes, há casos que são o inverso e o consumidor , por exemplo, dá uma fazenda avaliada em R$ 1milhão em troca de apartamentos.

Moreira explica que o imóvel a ser negociado tem de ser quitado no nome do cliente, ou seja, não pode ser hipotecado ou financiado. Além disso, normalmente, a empresa desconta o valor da avaliação e cobra uma comissão pela venda da unidade que está pegando.

Moreira pontua que a permuta também é muito solicitada por construtoras, quando desejam comprar um terreno para uma obra. “Pode ocorrer a permuta imobiliária, quando a incorporadora entrega para o dono do terreno o apartamento pronto no fim da obra. Neste caso, ao invés de transferir imóveis, a empresa vende a unidade e passa o dinheiro”, explica.

Devido ao longo tempo de espera para receber a quantia, as empresas oferecem uma compensação financeira. O prazo, geralmente, é de até cinco anos. “Quando o terreno vale X, tem que receber pelo menos de 50% a 100% o valor do terreno da permuta, dependendo do projeto, bairro, se é área valorizada, desejada”, aponta Moreira.

 

Troca multilateral

A permuta pode ir além da troca de bens entre duas partes. Esta é a proposta da plataforma XporY.com. Após o cadastro no site, pessoas ou empresas oferecem e adquirem bens ou serviços gastando apenas a moeda virtual, chamada X.

“A permuta bilateral funciona, mas, para dar certo, tem que ter uma coincidência muito grande no mesmo tempo e de valor. A plataforma não exige que as partes tenham interesses mútuos”, explica o diretor, Rafael Cardoso.

O cadastro é gratuito. Por cada negociação, a plataforma ganha de 2% a 10%, pois depende do setor. Imóveis, por exemplo, têm uma taxa de 5%.

Escher conta que se cadastrou na empresa porque estava com alguns painéis desocupados. “Quem trabalha com mídia sempre tem proposta de permuta, acabei centralizando na plataforma porque às vezes chegava uma pessoa que queria fazer permuta, mas eu não tinha interesse no produto dela. Na plataforma, eu uso o valor do que o cliente contratou para trocar pelo o que eu quiser. Assim, não fecho as portas para ninguém”, explicou.

O empresário acumulou várias vendas e gastou o valor referente a elas na compra de lotes às marges de um lago em Uruaçu, no norte goiano. "Como estava com saldo alto e imóvel é sempre bom, fiz o negócio, queria fazer um financiamento no banco e os imóveis serviram como garantia", contou.


Fonte: G1